Alunos de escolas estaduais da cidade de Goiás terão aulas sobre a Lei Maria da Penha.

Alunos de escolas estaduais da cidade de Goiás terão aulas sobre a Lei Maria da Penha.

A Cidade de Goiás, antiga capital do nosso estado, está sendo pioneira no ensino da Lei Maria da Penha nas escolas. Coordenadores, professores e 1.400 alunos, estão tendo a oportunidade de conhecer de perto a Lei que defende a liberdade e os direitos das mulheres em todo o Brasil. A autora do projeto é a única vereadora da cidade, Iolanda Aquino Leite, que após realizar uma coleta de dados pelo Fórum de Políticas Públicas para Mulheres e pelo Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam) na sede do município e em distritos e assentamentos da região, percebeu que a situação era grave. Somente em 2016 foram 303 casos acompanhados pela Patrulha Maria da Penha da Policia Militar no município, média de quase 1 caso por dia. Nesse ano a Patrulha Maria da Penha também vai atuar durante o carnaval da cidade histórica, com uma tenda que contará com atendimento do Conselho Tutelar e do Fórum de Políticas Públicas para Mulheres, entre as 22:00h e as 03:00h, acolhendo e dando suporte a mulheres vítimas de violência durante os dias de festa. O projeto que leva o ensino da Lei Maria da Penha as escolas está sendo realizado em 4 etapas. A primeira aconteceu no dia 15 de janeiro, quando professores e coordenadores da Secretaria Municipal de Educação participaram de um curso preparatório. Foram elaboradas algumas propostas a serem desenvolvidas durante o ano, entre elas estão: rodas de conversas e atividades culturais como teatro, cinema e música. Aproximar a comunidade das Leis que garantem seus direitos e de seus familiares é extremamente importante, principalmente para as mulheres que são vítimas da violência doméstica e que muitas vezes não procuram seus direitos exatamente por não terem consciência do poder da Lei Maria da Penha. A grande parte das vítimas que não denunciam seus agressores, têm medo de julgamentos e pré-conceitos de amigos e familiares, o que é ainda mais comum em uma pequena cidade extremamente ligada ao tradicional patriarcado, além disso elas não acreditam que o agressor possa ser realmente punido, e temem que com as denúncias a violência só aumente. O bem-estar dos filhos também é algo que preocupa, os impactos negativos de uma possível separação fazem com que inúmeras mulheres continuem com seus relacionamentos pensando que assim seus filhos estarão mais felizes. Em lares em que a violência doméstica existe, as crianças também são vítimas, direta ou indiretamente. Quando essas crianças e jovens têm conhecimento das leis que os protegem, eles também entram na luta contra a violência e ajudam a transformar a realidade, sendo agentes ativos da mudança. Medidas como essa têm impacto tremendo na raiz do problema, que é a educação, jovens que desde cedo participam de debates e atividades que promovem a conscientização quanto a violência doméstica têm menos propensão a se tornarem adultos violentos, rompendo um ciclo vicioso, já que crianças que são criadas em ambientes violentos têm muito mais chance de repetirem esse comportamento no futuro. Torcemos para que esse projeto possa chegar as escolas de todo o Brasil, ajudando a promover a mudança através da consciência.

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