Em Goiás, desemprego é maior entre mulheres negras ou pardas com até 24 anos.

Em Goiás, desemprego é maior entre mulheres negras ou pardas com até 24 anos.

Através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada no último dia 23, contabilizou-se um total de 339 mil pessoas desempregadas no estado de Goiás. Isso representa uma taxa média anual de desocupação de 10,5%, a maior desde 2012 segundo o mesmo estudo. Contrariando as estatísticas do estado, Goiânia encerrou 2017 com o segundo menor índice de desempregados entre as capitais brasileiras, com 7,1%, atrás apenas de Campo Grande no Mato Grosso do Sul que apresentou uma taxa de 5,7%. Em Goiás, também é grande o número de sublocados, classificação dada pelo IBGE para trabalhadores que, justamente pela falta de oportunidades no mercado de trabalho, são obrigados a aceitarem empregos de menor qualidade ou com carga horária inferior a desejada. Outra consequência da falta de empregos formais, é redução do número de trabalhadores com carteira assinada. De um total de 3,2 milhões de trabalhadores do estado, 431 mil não estão registrados. São pessoas que trabalham por conta própria graças a falta de oportunidades, são taxistas, motoristas de aplicativos, camelôs, vendedores ambulantes, lavadores de carro, entre tantas outras ocupações que dão o sustento para quase meio milhão de pessoas em Goiás. A PNAD também revelou que as mulheres são as que mais sofrem as consequências das poucas ofertas no mercado de trabalho. Segundo a pesquisa a maior parte do trabalhadores sem emprego são mulheres, negras ou pardas, e com ensino médio incompleto. Para o superintendente do IBGE em Goiás, Edson Roberto Vieira, “Isso representa que o mercado de trabalho ainda está apertado, está complicado se recolocar, e que isso torna o mercado segregador, é dada preferência às pessoas brancas, homens e com maior escolaridade. O empresário pode escolher porque tem muitas opções”. Que o mercado de trabalho sempre foi opressor com as mulheres, isso não é novidade, segundo pesquisa divulgada essa semana pelo site de empregos Catho, realizada com quase 8 mil profissionais, as mulheres ganham menos que os colegas homens em todos os cargos, áreas de atuação e níveis de escolaridade pesquisados, com uma diferença salarial chega a quase 53%.  Em tempos de crise o cenário é ainda pior, o trabalhador se torna uma mera mercadoria na mão dos empresários, que escolhem seus empregados assim como quem escolhe um produto, analisando cor e preço, optando sempre pelo mais claro e mais barato. Apesar de serem a maioria a ingressar e também a concluir o ensino superior, as mulheres encontram sempre uma forte resistência no mercado de trabalho, que ainda é extremamente machista e racista. É preciso transformar essa realidade, com ações inclusivas que realmente coloquem a mulher no mercado de trabalho e em condições igualitárias.

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