Mulher, negra, feminista e moradora de favela. O assassinato de Marielle Franco gera revolta e comoção no Brasil e no mundo.

Mulher, negra, feminista e moradora de favela. O assassinato de Marielle Franco gera revolta e comoção no Brasil e no mundo.

"Não sou livre enquanto outra mulher for prisioneira, mesmo que as correntes dela sejam diferentes das minhas." Com essa frase da autora norte-americana, negra, feminista e gay, Audre Lorde, Marielle Franco encerrou sua participação no debate Jovens Negras Movendo as Estruturas, voltado para mulheres negras e transmitido ao vivo em seu Facebook. Pouco depois a 5ª vereadora com mais votos no município do Rio de Janeiro foi brutalmente assassinada a tiros, juntamente com seu motorista, Anderson Pedro Gomes. O crime chocou o Brasil e o mundo. Marielle além de vereadora ativa, em apenas 15 meses apresentou 16 projetos de lei sendo que 2 deles foram aprovados, também era relatora de uma comissão de vereadores que acompanhava o trabalho dos militares durante a intervenção militar na segurança pública do Rio, contra qual Marielle fazia forte oposição. Ela também era uma importante ativista dos direitos humanos, tendo coordenado a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), ao lado do deputado Marcelo Freixo, atuando na denúncia contra os abusos policiais e o extermínio da população negra nas favelas cariocas. Quatro dias antes de ser assassinada Marielle havia postado um imagem que continha a frase “Parem de nos matar!”, denunciando a atuação do 41° batalhão da PM, conhecido como Batalhão da Morte, na região do Acari. Sua morte gerou repercussão internacional, no parlamento europeu deputados prestaram uma homenagem a Marielle e exigiram a suspensão das negociações comerciais para fechar um acordo de livre comércio entre a Europa e o Mercosul a fim de pressionar o Brasil por "uma investigação independente, rápida e exaustiva que permita chegar à verdade e a Justiça", escreveu o Miguel Urbán, deputado espanhol pelo partido Podemos em carta enviada para a Alta Representante para Assuntos Exteriores da Europa, Federica Mogherini. No parlamento, além dos cartazes com a frase “MARIELLE PRESENTE”, os deputados citaram dados que revelam que, em 2017, 312 defensores de direitos humanos foram mortos pelo mundo, sendo 26 brasileiros. Está claro para todo o mundo que esse assassinato com claras motivações políticas é uma tentativa de silenciar a voz das mulheres negras e pobres que lutam por um Brasil mais justo. Mulheres essas que quando alcançam o poder incomodam diversos tipos de máfia que comandam esse país. “Acredito que ocupar a política é fundamental para reduzir as desigualdades que nos cercam”, dizia Marielle, e assim ela o fez: Do pré-vestibular comunitário na favela Maré, onde nasceu e foi criada, à 5ª vereadora mais votada no Rio de Janeiro com 46.502 votos em sua primeira disputa eleitoral, ela representa a esperança de milhares de mulheres que compartilhavam da mesma luta, a luta por um Brasil mais justo. 65% das mulheres assassinadas no Brasil são negras, segundo dados do Ipea, e Marielle infelizmente engrossou as estatísticas. Mas sua voz não será silenciada, pelo contrário, ela irá ecoar e reverberar a mensagem de igualdade e justiça que Marielle Franco sempre propagou. O luto irá se transformar em luta! #MariellePresente

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