Mulher sofre assédio em frente a uma obra e é indenizada em R$ 8mil.

Mulher sofre assédio em frente a uma obra e é indenizada em R$ 8mil.

A dentista Jéssica Moura de 29 anos, se sentiu extremamente ofendida após ser assediada e insultada durante vários dias consecutivos em uma obra do BRT próxima a sua academia de ginástica no Rio de Janeiro. Segundo ela, os insultos aconteceram durante pelo menos 4 dias consecutivos, mesmo com ela pedindo para que os autores parassem com os gritos constrangedores e ofensivos como “gostosa” e “piranha”. Jéssica então decidiu filmas as agressões e então abrir um Boletim de Ocorrência e entrar com uma ação judicial contra a empresa responsável pelas obras. Foi então que ela recebeu uma ligação de alguém ligado a construtora, se dizendo superior ao agressor, em uma tentativa de minimizar as agressões sofridas por ela e defender o agressor, afirmando que ele teria problemas com o álcool e teria sido abandonado pela mulher, tentando fazer com que Jéssica se comovesse com o caso e desistisse da ação contra a empresa. “Eu segui com esse processo para que mais mulheres transformassem esse constrangimento em coragem e luta. O que a gente ouve nas ruas desde sempre não é brincadeira. Isso é muito sério e não pode continuar acontecendo”. Afirmou Jéssica através de uma rede social. Ela conta ainda que após abrir o processo passou novamente pela obra e dessa vez foi ameaçada por mais dois homens além do agressor original, que ao ser procurado pela polícia no canteiro de obras não foi encontrado, a construtora afirmou que o funcionário não fazia parte da empresa, em uma tentativa clara de defender o agressor. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 85% das mulheres têm medo de ser vítima de agressão sexual e 42% reconhecem já terem sido vítimas de algum tipo de assédio, segundo pesquisa do Datafolha, números assustadores que revelam o tamanho do problema a ser enfrentado pelas mulheres em todo o Brasil. Jéssica seguiu com o processo e após 2 anos a empresa responsável pelas obras e pelo funcionário foi condenada a pagar R$ 8 mil de indenização. “Eu preferiria 8 mil vezes que esse processo não existisse. Que as mulheres não passassem por isso na rua, na esquina de casa!” Disse ela após ser acusada de ter movido o processo apenas pelo dinheiro. O caso de Jéssica é apenas mais um entre inúmeros casos que acontecem diariamente sobre o anonimato do dia a dia, esse tipo de agressão não é um elogio e nem passa perto de ser, nenhuma mulher se sente bem ao ser exposta e humilhada. Casos extremos como o de um homem que ejaculou em uma mulher dentro de um ônibus em plena Avenida Paulista, são provas do tamanho da violência sofrida pelas mulheres cotidianamente em todo o país. O que começa com um suposto “elogio” com gritos de “gostosa”, pode terminar em uma agressão ou em um caso de estupro. É preciso parar a violência em suas primeiras manifestações, o que não é fácil, já que muitas vezes o agressor tem uma rede de proteção composta geralmente por outros homens que procuram sempre minimizar as agressões. Entretanto o exemplo de Jéssica representa uma esperança para todas a mulheres do Brasil que são vítimas do machismo em seu dia a dia. Seguimos lutando!

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