Música que faz incitação ao estupro é removida das principais plataformas de streaming

Música que faz incitação ao estupro é removida das principais plataformas de streaming

Uma postagem nas redes sociais desencadeou uma onda de protestos que resultaram na retirada de uma música das principais plataformas musicais, como Youtube, Spotify, Deezer e Apple Music. A autoras da postagem foi Yasmin formiga, estudante de Artes Visuais, que publicou uma foto em seu perfil em que estava maquiada, simulando ter sido vítima de uma agressão, segurando um cartaz com versos do Funk “Só Surubinha de Leve” de Mc Diguinho, que dizem: "Taca a bebida/Depois taca a pica/E abandona na rua". Os versos configuram uma agressão a liberdade sexual das mulheres, fazendo uma clara incitação ao estupro de vulneráveis, perpetuando e celebrando a cultura do estupro, que vitimiza mulheres diariamente em todo o Brasil. Até o fechamento dessa coluna o post já contava com mais de 140 mil compartilhamentos e mais de 38 mil curtidas e trazia em sua legenda o texto: “Sua música ajuda para que as raízes da cultura do estupro se estendam. Sua música aumenta a misoginia. Sua música aumenta os dados de feminicídio. Sua música machuca um ser humano. Sua música gera um trauma. Sua música gera a próxima desculpa. Sua música tira mais uma. Sua música é baixa ao ponto de me tornar um objeto despejado na rua.” A repercussão negativa fez com que o autor da música criasse uma versão “mais light” transformando os versos agressivos em: “Taca a bebida/Depois taca e fica/Mas não abandona na rua”. A versão original já contava com mais de 14 milhões de visualizações no YouTube e estava topo da lista de músicas que viralizaram no Brasil através do Spotify. Entretanto, o desrespeito, o machismo e a perpetuação da cultura do estupro em músicas não é exclusividade do Funk, muito menos de Mc Diguinho. São inúmeros os exemplos de letras que tratam as mulheres como meros objetos sexuais, inclusive dentro da música sertaneja, tão popular em nosso estado. Em versos como: “Tô afim de você/E se não tiver/Você vai ter que ficar.” (Henrique e Juliano), “Sua boca diz não quer/E meu ouvido diz duvido, duvido, duvido.” (Marcos e Belutti), “Suas coisas põem na mala/Não me encoste e nem me fale/ Tô doido pra te matar, muié.” (Bruninho e Davi), a vontade feminina é subjugada e colocada em segundo plano perante o desejo masculino, ocorre uma clara naturalização de abusos e violências, o que perpetua ainda mais a cultura do estupro e o feminicídio. A mobilização feminina não pode parar por aqui, esse deve ser mais um passo no combate a violência contra a mulher dentro da música. A diminuição do número de estupros e feminicídios está diretamente atrelada a uma maior conscientização popular, uma sociedade que idolatra e celebra músicas que naturalizam o estupro e a violência está fadada a apresentar graves índices de violência contra suas mulheres. A luta continua!

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